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segunda-feira, 9 de julho de 2007

Liberdade de expressão

Roberto Carlos tem problemas com biografias. E isso não ficou evidente somente nos últimos meses. Em 1983, o cantor processou Ruy Castro por um perfil publicado na revista Status, alegando que sua vida pessoal fora exposta. Castro ganhou na primeira instância, mas perdeu nas outras duas. “Perdi de 2x1, um resultado justo dado todo o arsenal jurídico dele”, comentou o jornalista.

Castro se juntou a outro biógrafo processado pelo cantor, Paulo César Araújo, e a Fernando Morais, que também já teve problemas na justiça ("Na toca dos leões" chegou a ser proibido de ser vendido, mas a Justiça voltou atrás), na mesa “A vida como ela foi”, que, na manhã de sexta-feira (07/07) discutiu biografias e liberdade de expressão na V Festa Literária de Paraty, a Flip. A conversa correu com muitas tiradas dos participantes – e diversas alfinetadas na atitude (e na produção artística) do cantor.

Ao lado das piadas e dos casos contados, duas decisões importantes foram anunciadas: Araújo já está tentando reverter na justiça o acordo feito entre a Editora Planeta e Roberto Carlos para que o livro fosse recolhido. “Vou até o fim. Posso ficar miserável, mas vou lutar pelo meu livro”. E, acolhendo uma sugestão da platéia, a Flip fará um abaixo-assinado para que a legislação que dá respaldo a ações como a de Roberto Carlos seja revista. “O Artigo 5 da Constituição, que garante a liberdade de expressão, não pode entrar em contradição com o 220, do direito de imagem. O problema é encaminhar uma petição dessa para esse Congresso que está aí’, frisou Morais.

Ainda sob impacto pelo acordo judicial que recolheu seu livro “Roberto Carlos em Detalhes” (Ed. Planeta), Araújo foi quem mais falou. E começou dando sinais de resistência: “Minha advogada já entrou na justiça com uma contestação contra o acordo. Vou lutar até o fim. Mais do que uma biografia, meu livro trata da história da música popular brasileira. No processo, não entra crime de calúnia, porque todas as informações já tinham sido publicadas na imprensa. É uma questão de liberdade de expressão”.

A decisão poderia ter sido ainda mais grave. Os advogados de Roberto Carlos queriam incluir uma cláusula para que o autor não pudesse comentar publicamente o livro. Após protestos de Araújo, foi alterado para não falar na vida pessoal do cantor. Após novo protesto, baseado no argumento de que boa parte de suas músicas falam de sua vida pessoal, foi acordado para que Araújo não comentasse sua vida íntima. “Quase que eu fui impossibilitado de estar aqui”, disse.

Marcelo Tavela - enviado especial a Paraty (RJ)



Fonte: Comunique-se

Um comentário:

pc guimarães disse...

Fala, Cerolim! Tô de olho. Citei vc no blog do professor pc e o Lucas no blog do pc. Se puder, avise a ele. Não vi espaço para comentários no blog dele.
abs
pc